Pelo nada?
Pelo pó?
Pelo zero?
Por uma explosão?
Por uma mutação?
Pelo infinito?
Pelo nada?
Pelo pó?
Pelo zero?
Por uma explosão?
Por uma mutação?
Pelo infinito?
Nao interessa se não for feito nada...
Quem pergunta, literalmente pergunta!
Os empreendimentos já começaram...
A vida já começou...
Individualidade.
Garantias...
Desperta mais uma vez o som irritante do despertador velho e ultrapassado. Eu me levanto, olho para frente, é preciso seguir, é preciso ser.
Lembro-me de algumas passagens da obra sartreana O ser e o nada. Estou sóbrio, puramente sóbrio. Desligo o bendito despertador. Confiro as horas.
O sol já está alto lá no espaço sideral. Eu estou aqui, na Terra, distante de seus raois oito minutos. Acendo a morte e tiro dela alguns instantes de vida, de morte.
Mais frases em meus pensamentos, alguns sons de vida fora de casa, alguns ruidos de vida fora de mim. E em mim um silêncio, não muito profundo, mas considerável.
Sigo para o banheiro, os olhos cansados, o rosto surrado e o cabelo, horrivelmente embaraçado. Lavo o rosto, molho o cabelo, não melhora, nem o rosto e nem o cabelo.
Pego a escova de dentes e com pasta escovo-os 32 dentes, menos talvez. Penso em como o espelho é sincero e o quanto fico melhor na penumbra. A escuridão me torna menos visível e menos intenso. Penso que é disso que preciso, de penumbra, beleza e menos intensidade.
Aguardo uma chamada ou um mensagem. Encaminho rumo ao computador, ouço ao longe uma sirene, volto a ver as horas, o estômago denuncia seu estado de vazio total. Nada como, mas tento preenchê-lo com água, bastante água.
Lá fora continua o dia... e aqui dentro também.
Depois de uns, outros.
Depois de alguns goles, outros goles.
Depois de alguns amores, outros amores.
Depois de algumas verdades, outras verdades.
Depois de umas amigas, outras amigas.
Depois de uns amigos, outros amigos.
Depois de uns lugares, outros lugares.
Depois de uns drinques, outros drinques.
Depois de uns toques, outros toques.
Depois de uns acordes, outros acordes.
Depois de umas distorçõoes, outras distorções.
Depois de umas aulas, outras aulas.
Depois da filosofia de domingo...
Filosofia de segunda. Óbvio!
Berkeley diz em um momento seu que "Ser é ser percebido".
Alguém pode definir qual é a percepção que temos da alma?
E a perçepão da morte?
Anjos são perceptíveis?
Deus está onde?
Como é o Paraíso?
O nada é o quê?
E tudo, como percebê-lo?
O infinito é sensível?
Perfeição existe?
Vamos lá... por favor!
Respostas são necessárias, ou desnecessárias!
Fim é o final de algum novo começo.
Começo é o fim de um nada.
Nada é uma coisa que ainda não é.
O não é um sim ao contrário.
Contrário é a mesma coisa só que em outro sentido.
Coisa é a própria coisa.
Sentido é o que se perde quando a coisa é o nada.
Nada já não é a coisa.
O é, é... e enquanto é... é uma coisa.
E a coisa deixa de ser nada.
E quando deixamos algo... a coisa muda.
E mudar significa que a coisa é sempre nada... mesmo nada sendo.
Nada.
Nada.
Nada.
Em águas profundas!
Os dias passam como passam os meses e como passam as horas.
O relógio da catedral não marca mais a mesma hora.
Eu não consigo mais enxergar o que está para além do infinito.
Você, sempre você nesse meu pensamento.
Eu vejo os dias passarem sem que eles percebam que eu passo neles.
Os caminhos não levam a lugar nenhum se não quiser ir por eles.
Você, sempre você nesse meu pensamento.
Tem um bocado de silêncio, de sangue e lamento em minhas expressões.
Quero um pouco de vida, de morte, de sonho e de absurdo.
Voce, sempre você nesse meu pensamento.
As luzes da cidade já començaram a se insinuar...
As aves de volta já procuram um novo lugar.
Você, sempre você nesse meu pensamento.
O sol vai se pondo no mesmo e velho lugar.
Tem palavras mal ditas e outra bem ditas e tantas sem saber que valor atribuir.
Voce, sempre você nesse meu pensamento.
Voce, sempre você nesse meu pensamento.
Algumas.
Alguns.
Umas.
Uns.
Outros.
Outras.
O que é a saudade?
O silêncio que acompanha a morte é ensurdecedor.
As velas se apagaram.
As pessoas se foram.
Os sonhos cessaram.
Os sons dissiparam-se.
Ele voltou.
Ele sempre volta.
Logo, logo tudo estará normal.
Se você procura por respostas, me pergunte.
Se você procura por perguntas, me responda.
Se você procura por prazer, me chame.
Se você procura por amizade, me tenha.
Artigo primeiro
É permito dizer o que se pensa.
Artigo segundo
É permito ser você.
Artigo terceiro
É permito ser leve.
Artigo quaarto
É permito ser pesado.
Artigo quinto
É permito ser linda.
Artigo sexto
É permito ser sensual.
Artigo sétimo
É permito ficar deitada.
Artigo oitavo
É permito ficar dormindo.
Artigo nono
É permito viajar só.
Artigo décimo
É permito viajar acompanhado.
Artigo décimo primeiro
É permito permitir.
Artigo décimo segundo
É permito viver suas loucuras.
Artigo décimo terceiro
É permito rir sozinho.
Artigo décimo quarto
É permito silenciar-se.
Artigo décimo quinto
É permito gozar.
Artigo décimo sexto
É permito fazer gozar.
Artigo décimo sétimo
É permito gozar junto.
Parágrafo único
Toda permissão filosófica é uma permissão universal.
Seis meses...
Seis horas...
Seis encontros...
Seis segundos...
Seis passos...
Seis vontades...
Seis decepções...
Seis amigos...
Seis partes...
Seis propostas...
Seis goles...
Seis estações...
Seis contos...
Seis olhares...
Seis dores...
E assim acabamos!
Ouviram.
Ouviram.
Somente aquele que ouve o bater de palma de uma só mão pode dizer sem palavras...
Quem sabe o gosto daquilo que não tem gosto pode experimentar.
Só quem já viu o sorriso de um palhaço banguelo pode rir sozinho.
Aquele que viu o saci subir a montanha de patinete pode saltar para o infinito.
Quando o silêncio mudar de cor esse que o vê... verá!